Mais do que o que se pode descrever, o filme traz o retrato da vida de alguém – coisa que parece simples, mas não é. “A excêntrica família de Antonia” mostra sutilezas da vida através de personagens intrigantes: a neta com inteligência acima do comum, a Madona que uiva todas as noites de lua cheia, o cético Dedo Torto, que vive rodeado de livros de Nietzsche e Schopenhauer. Todos eles e mais uma infinidade de outros igualmente interessantes vivem ao redor da agregadora matriarca Antonia, que a todos conduz com determinação e tranqüilidade.
O grande desafio do filme, que ganhou Oscar de melhor filme estrangeiro em 1996, é tornar o expectador parte da grande família de Antonia, fazendo parte de seus dramas e celebrando as alegrias com os personagens. Poucos filmes o fazem tão bem. Na literatura, é possível encontrar uma sósia de Antonia na personagem Penélope Keeling, de “Os catadores de conchas”, de Rosamunde Pilcher. É tão encantadora quanto, então vale a pena.
Apesar de contar histórias por vezes dramáticas, o filme passa longe do sentimentalismo que enjoa. Para Antonia e sua excêntrica família – consangüínea ou não -, o que importa mesmo é deixar a vida passar aos poucos, bem devagarinho, bem curtida. As dores, se vierem, se vão. A alegria é o que se guarda até o final. Tudo muito natural.
