E aí que encontro “Julie & Julia” (2009), de Nora Ephron, para assistir. E fico achando incrível a forma através da qual pode emanar arte da cozinha. O filme, embora não tenha nenhuma pretensão nem arroubo de ser alguma novidade em termos de linguagem cinematográfica – e sinceramente, poucos conseguem mesmo hoje em dia -, é muito fofo.
Amy Adams e Meryl Streep, respectivamente Julie e Julia, estão insatisfeitas com suas vidas, embora a primeira viva nos dias atuais enquanto a segunda, na década de 1940. O filme é lindamente colorido: a fotografia bonita das cozinhas até lembra as dos filmes “O tempero da vida” e “Sem reservas”, ambos comentados por aqui. E então Julie vai preparando as 524 receitas do livro de Julia, enquanto um ano inteiro se passa. As histórias correm em paralelo e não se encontram no final, e talvez a graça seja justamente essa: transcender tudo, até mesmo os convencionais finais felizes que a gente sempre espera, para tentar o novo e dar um basta na monotonia da vida.
