Sendo assim, Melinda está presente nas duas histórias, assim como os mesmos cenários e personagens. Tudo dividido desde o início do filme que, na verdade, são três: a conversa agradável dos escritores sobre como cada um construiria sua história, a tragédia da Melinda problemática e a comédia da Melinda encantadoramente desleixada.
É claro que não falta aquele clima que só Woody Allen sabe criar, com contornos cômicos que fazem lembrar “Todos dizem eu te amo” (1996) e trágicos que remetem a “Interiores” (1978). Em “Melinda e Melinda”, estão presentes também as agradáveis e habituais trilhas sonoras, além de atores como Will Ferrel e Chloë Sevigny.
A graça mesmo, além da maestria de Allen na metalinguagem, está na capacidade de transformação da mesma história em comédia ou drama, dependendo apenas da escolha de quem vê. E a vida não é assim mesmo, afinal?
